domingo, 15 de junho de 2008

Inversão ontológica

A ontologia reinante nesta época pós-moderna é a existencialista desenvolvida por Jean-Paul Sartre, filósofo ateu e renomado pela sua grandiosa obra O ser e o nada. A abordagem da responsabilidade na filosofia sartreana esta ligada fortemente a noção de liberdade, sendo esta resultande da existência do ser-em-si. 

A essência é essa liberdade vivenciada principalmente de forma subjetiva, ao relacionar os gostos pessoais com as atitudes comportamentais práticas do dia a dia. Aqui já estendo esse conceito para a abordagem pós-moderna, a abordagam que prevalece em nosso tempo, ainda mais com o uso da subjetividade. 

Sobre a minha visão do ateísmo, gostaria de indicar um tópico de um fórum em que participo intensamente, o fórum Clube Cético e que através de hiperlinks descrevo o que penso ser o ateísmo conscienciológico

Espero com esta postagem demarcar a divisão de águas entre os meus dois blogs, o filosofia ateísta no qual tenho textos sobre o que considero ser a supremacia do ateísmo, sem no entanto ser dogmático; e neste de Projeciologia, no qual pretendo aprofundar os conceitos filosóficos e epistemológicos da estruturação científica da conscienciologia. 

*Publicado simultaneamente no blog Projeciologia

domingo, 6 de abril de 2008

Atheist Peace

Bad Religion

"Atheist Peace"


Maybe it’s too late for an intellectual debate,
but a residue of confusion remains.

Changing with the times,
and developmentally tortured minds
are the average citizen's sources of pain.

Tell me what we’re fighting for—
I don’t remember anymore,
only temporary reprieve

And the world might cease
if we fail to tame the beast
from the faith that you release
comes an atheist peace.

Atheist peace.

Political forces rent
bitter cold winds of discontent
and the modern age emerged triumphantly.
But now it seems we've stalled
And it’s time to de-evolve
and relive the dark chapters of history

Tell me what we’re fighting for—
No progress ever came from war,
only a false sense of increase

and the world won’t wait
for the truth upon a plate
but we’re ready now to feast on an atheist peace.

Atheist peace

Show em Kansas - 2004

Paz no mundo

Aproveitando o meu momento pacifista de ser, vou reproduzir aqui um ótimo artigo do Diário ateísta sobre a busca de pacificação entre católicos e islâmicos, um momento raro inclusive:

Paz no mundo

Estudiosos proeminentes da religião islâmica avisaram que «a sobrevivência do mundo está em perigo» se os muçulmanos e os católicos não tiverem um ambiente de paz entre eles. Numa carta «aberta» sem paralelo na história, 138 líderes estudiosos do Islão pediram aos líderes católicos para «haver uma aproximação das duas religiões para encontrarem os seus pontos comuns».

Na carta pode-se ler que «encontrar esse ponto comum não é apenas uma maneira politica de encontrar um dialogo ecunémico, mas porque as religiões católicas e islâmicas detêm entre elas 55% da população, o que faz as relações entre as duas comunidades um factor contributivo para a paz no mundo. Se muçulmanos e católicos não estiverem em paz, o mundo não estará em paz».

Alguns pontos rápidos em relação a esta iniciativa dos ?estudiosos? do Islão

1. Para quem procura a paz, o silêncio dos mulás aquando dos consecutivos ataques terroristas feitos em nome do Islão, não é coerente.
2. Para quem procura a paz, não pode ter um regime teocrático como o Irão à procura de ter a capacidade de produzir um arsenal nuclear.
3. Para quem procura a paz, não pode estar sistemática a boicotar acções internacionais para resolver a questão palestina - israelita (e o mesmo para os fundamentalistas sionistas)
4. Para quem quer paz, não pode oprimir os seus próprios cidadãos, com penas de morte para a apostasia, ou opressão das mulheres e das minorias.

Quanto ao que é mais importante: mais uma vez temos os líderes religiosos a acharem-se como os salvadores de serviço da raça humana. Não só a maior parte das tensões mundiais têm fundamentos religiosos (Pakistão-India, Xiitas e Sunitas no Iraque, Muçulmanos e Católicos na ex-Jugoslávia, Moderados e extremistas religiosos no Maghreb, católicos ortodoxos e muçulmanos na Tchetchenia , tribalismo religioso em Africa, catolicismo e protestantismo na Irlanda do Norte, etc etc), é difícil acreditar que há vontade de se entenderem.

Claro que é de louvar que tentem se entender. A acção destrutiva da religião tende a ser cada vez pior se não for controlada. Mas não serão os líderes religiosos que o farão. Tem de ser as forças seculares a forçar esse processo: com uma ajuda à emancipação de religiosos que tenham dúvidas nas razões para ter fé, com a tentativa de haver uma maior abertura dos países muçulmanos ao ocidente, com um controlo do colonatos judaicos em Gaza, com a progressiva perda de influência da igreja católica nos corredores de poder da Europa ou dos evangelistas cristãos em Washington. Porque uma coisa é verdade, nós os ateus, nós os defensores de sociedades seculares, estamos igualmente nas mãos destas «mudanças de humor» religiosas.

Diário Ateísta

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Ateísmo sociológico - A religião na teoria de Émile Durkhein

Em uma importante obra, publicada em 1912, As Formas Elementares da Vida Religiosa, E. Durkheim propõe a elaboração de uma teoria geral da religião fundamentada nas formas mais simples e primitivas das instituições religiosas. Durkheim acredita, assim, que se possa apreender a essência de um fenômeno social observando suas formas mais elementares. Por isso parte do estudo do totemismo nas tribos australianas, chegando à conclusão de que os homens adoram uma realidade que os ultrapassa, que sobrevive a eles, mas que esta realidade é a própria sociedade sacralizada como força superior. Nem as forças naturais, nem os espíritos, nem as almas são sagradas por si mesmas. Só a sociedade é uma realidade sagrada por si mesma. Pertence à ordem da natureza, mas a ultrapassa. É ao mesmo tempo causa do fenômeno religioso e justificativa da distinção entre sagrado e profano. Para Durkheim, qualquer crença ou prática religiosa é semelhante às práticas totêmicas.

Mas por que a própria sociedade torna-se objeto de crença e culto? Durkheim explica: "De maneira geral, não há dúvida de que uma sociedade tem tudo o que é preciso para despertar nos espíritos, unicamente pela ação que ele exerce sobre eles, a sensação do divino; porque ela é para os seus membros o que um deus é para os seus fiéis. Um deus, com efeito, é antes de tudo um ser que o homem imagina, em determinados aspectos, como superior a si mesmo e de quem acredita depender. Quer se trate de personalidade consciente, como Zeus ou Javé, ou então de forças abstratas como as que estão presentes no totemismo, o fiel, tanto num caso como no outro, acredita-se obrigado a determinadas maneiras de agir que lhe são impostas pela natureza do princípio sagrado com o qual se sente em relação. Ora, a sociedade também alimenta em nós a sensação de contínua dependência. Como tem natureza que lhe é própria, diferente da nossa natureza de indivíduo, ela visa a fins que lhe são igualmente especiais: mas, como só pode atingi-los por nosso intermédio, reclama imperiosamente nosso concurso. Ela exige que, esquecidos de nossos interesses, nos tornemos seus servidores e nos impõe toda espécie de incômodos, de privações e de sacrifícios sem os quais a vida social seria impossível. É por isso que a cada instante somos obrigados a nos submeter a regras de comportamento e de pensamento que não fizemos nem quisemos, e que às vezes são até contrárias às nossas tendências e aos nossos instintos fundamentais.

Todavia, se a sociedade só obtivesse de nós essas concessões e esses sacrifícios por imposição material, não poderia despertar em nós senão a idéia de força física à qual devemos ceder por necessidade, e não a idéia de força moral do gênero das que as religiões adoram. Mas na realidade, o domínio que ela exerce sobre as consciências vincula-se muito menos à supremacia física de que tem o privilégio do que à autoridade moral de que está investida. Se nos submetemos às suas ordens, não é simplesmente porque está armada de maneira a triunfar das nossas resistências, é, antes de tudo, porque constitui o objeto de autêntico respeito".

Em As Regras do Método Sociológico, de 1895, Durkheim propõe, com sua sociologia formular uma teoria do fato social, demonstrando que pode haver uma ciência sociológica objetiva e científica, como nas ciências físico-matemáticas.

Para que haja tal ciência são necessárias duas coisas: um objeto específico que se distinga dos objetos das outras ciências e um objeto que possa ser observado e explicado, como se faz nas ciências.

Daí duas outras importantes afirmações de Durkheim:

· os fatos sociais devem ser considerados como coisas

· os fatos sociais exercem uma coerção sobre os indivíduos.

E explica: "É um fato social toda a maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coação exterior; ou ainda, que é geral no conjunto de uma dada sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das suas manifestações individuais".

Teoria do fato social - Durkhein

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Contra a ditadura celestial

A fé subjugada pela razão. No vigésimo-terceiro encontro do curso de altos estudos Fronteiras do Pensamento, Christopher Hitchens criticou toda e qualquer filosofia baseada no divino. Em “Deus não é grande” o polêmico jornalista inglês contestou dogmas e censurou crenças frente a um público dividido entre o choque e a admiração no Salão de Atos da UFRGS.

Hitchens iniciou a palestra da noite do dia 6 de novembro com uma indagação, segundo ele, das mais pertinentes no atual contexto mundial: “Estamos aqui como resultado das leis da biologia e temos assim que aprender a coexistir, ou somos frutos de um design divino e não temos nenhuma influência sobre nosso suposto livre-arbítrio?”. A conhecida resposta do controverso colunista – que já acusou Madre Teresa de ser uma “fraude fanática e fundamentalista” – consegue, para surpresa do público mais conservador, ir além da simples crítica da fé em um deus ou da oposição a ele. Os argumentos usados por Hitchens contestam a falta de senso crítico e de integridade moral apresentada por dogmas divinos, colocando a razão e o humanismo iluminista como as únicas explicações úteis à humanidade.

A necessidade por respostas é que teria, de acordo com o jornalista, criado as entidades divinas. A religião seria, então, a primeira tentativa do homem de entender sua realidade. Suas falhas, contudo, vêm do seu pioneirismo, já que suas explicações surgiram na “época da infância assustada da nossa espécie”. Quando não existia conhecimento sobre astronomia, origem dos seres ou evolução, o homem encontrava respostas em “fábulas divinas” na sua busca por entender fenômenos naturais simples, como a transição entre o dia e a noite.

Hoje, frente a todo o conhecimento adquirido pela humanidade em sua constante evolução, a religião não teria mais espaço. Todos os dogmas, cristãos, judeus ou muçulmanos, compartilhariam de um mesmo erro ao colocar a fé acima da razão. “A religião insulta profundamente a nossa integridade”, diz o inglês, acrescentando que “a concepção de fé como uma virtude reduz o homem a um ‘estado animalesco’, em que é preciso a visão de uma autoridade divina para nos ensinar a distinguir entre o bem e o mal.” Se certamente um produto humano, a religião é acima de tudo um produto masculino, argumentou ainda o escritor. Todas as religiões reprimem a mulher, apresentando-a como um ser inferior, a verdadeira fonte do pecado.

Como desafio aos seguidores do que considera uma “ditadura celeste”, que exige ao mesmo tempo o amor e o temor de seus fiéis, Hitchens lançou duas questões: “Nomeie uma ação moral, ou prática, realizada por um crente que um não-crente não possa repetir” e “nomeie uma ação que não poderia ser executada sem intervenção divina”. Aos que respondem que a polêmica do seu desafio nada mais é do que fruto de seu ateísmo declarado, o jornalista alfineta mais uma vez: “Sou anti-ateísta. Um ateísta nega a existência de um deus, mas ainda pode desejar a existência de um. Já um anti-ateísta está contente por não existir nada além da razão”. “Você se sente muito melhor quando não acredita que existe um déspota celestial pronto para te julgar”, completou.

Copesul Cultural

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Jean Meslier , o padre ateu

Jean Meslier (1664-1729), um vigário de aldeia que escreveu, por volta de 1720, uma obra radical, na qual preconiza a união dos oprimidos em torno do estrangulamento do último rei com as tripas do último padre. Sustentava o deicídio, o tiranicídio e o comunismo como as bases de um novo mundo.

Em linhas gerais, Jean Meslier foi um vigário de aldeia que viveu no norte da França entre os anos de 1664 e 1729. Ele foi autor de uma obra contundente e radical por meio da qual expressou toda a sua indignação contra a opressão e as injustiças sociais cometidas contra os camponeses durante o reinado de Luís XIV. A solução por ele proposta para tais mazelas encontramos no seu manuscrito intitulado Memória dos pensamentos e dos sentimentos de Jean Meslier, concluído em 1720, e nas Cartas aos curas, provavelmente redigidas na mesma época. E consiste no ideal de uma sociedade fundamentada no ateísmo e na propriedade coletiva da terra. Porém, para realizá-lo, Meslier preconiza, muito antes dos jacobinos, dos anarquistas e dos bolcheviques, a união de todos os explorados e oprimidos em torno do estrangulamento do último rei com as tripas do último padre.

Do ponto de vista metafísico, Meslier nega categoricamente o dogma da criação do universo, por conseguinte, as idéias de divindade, transcendência e de providência ordenadora da natureza. Seu ateísmo, portanto, é inequívoco. Os deuses, sem exceção, inclusive o deus judaico-cristão, são por ele definidos como falsidades, como fábulas absurdas. Os profetas e os santos são julgados charlatães, e os milagres, por sua vez, aparecem como farsas, isto é, como um produto da falta de escrúpulos dos que as sustentam combinada com a ignorância e com medo dos humildes que a elas dão assentimento. Com a mesma veemência, Meslier argumenta a favor do seu materialismo, que é radical.

No seu entender, tudo o que existe é material, ou seja, só há matéria no universo, apenas uma única substância na natureza. E substância para ele é toda realidade corporal. A matéria é a realidade, é o Ser propriamente dito. E como Ser, a matéria é a causa de si mesma e de tudo o que é. A idéia da existência de uma outra substância além da matéria, uma substância imaterial e imortal, é refutada como fantasiosa.

Além de ateu e materialista, Meslier também teceu duras críticas à religião. E não apenas à religião cristã, mais especificamente a católica, mas à religião em si mesma. Um século antes de Nietzsche e algumas décadas antes do surgimento estrondoso do marquês de Sade, esse padre provinciano proferiu uma das maiores diatribes já proferidas contra o cristianismo, em particular contra a figura de Jesus Cristo, que é definido por ele como louco, fanático, ignorante e charlatão, como um indivíduo astuto que se aproveitou da credulidade e do desespero de pessoas ignorantes para estabelecer o seu império.

Do ponto de vista político e ideológico, a posição de Meslier destoa significativamente da dos demais ilustrados. Ele considerava a religião a princípio como um artifício humano; porém, como um nefasto expediente dos espertalhões, aliás, como um eficiente instrumento de dominação utilizado pelos reis, sacerdotes e demais parasitas para submeterem e manipularem os povos imersos na miséria e debilitados pelo sofrimento.

No entanto, a despeito da retórica inflamada e das idéias revolucionárias dos seus sermões materialistas, o padre ateu foi em vida mais um revoltado, mais um indivíduo indignado com as injustiças sociais do que efetivamente um homem de ação engajado na realização dos seus ideais. Convém ressaltar que Meslier manteve o seu ateísmo e o seu ideário libertário no mais absoluto sigilo durante toda a sua existência, e que as suas convicções e os seus escritos apenas vieram à tona postumamente, causando um retumbante escândalo.

Trechos de Ateísmo e comunismo: o lugar de Jean Meslier na filosofia política das Luzes de Paulo Jonas de Lima Piva

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Dawkins e Hitchens guiam ateístas

Biólogo norte-americano e polemista ensaísta britânico levam argumentos ceticistas a extremos e viram best-sellers. Para Marcelo Gleiser, "novos ateístas" não representam comunidade científica e colecionam inimigos pela arrogância

"Graças ao telescópio e ao microscópio, a religião não oferece mais explicações para nada importante", diz Christopher Hitchens em "God Is Not Great".

O polemista britânico, conhecido agitador político de direita, conhece hoje, por conta de suas provocações à religião, um sucesso nunca antes alcançado por seus mais de 20 livros e inúmeros ensaios publicados em jornais e revistas.

Apenas uma semana após o lançamento, no Reino Unido, Hitchens já havia vendido 4.000 cópias do livro. Seis semanas depois, ele estava em sua sétima impressão e desembarcava nos EUA com loas da crítica e curiosidade geral.

"Eu já tinha criticado o uso nocivo da religião quando escrevi o livro sobre Madre Teresa de Calcutá", disse Hitchens à Folha. "Agora, faço um ataque geral à religião, pois ela é uma má influência."

O argumento principal de "God Is Not Great" é que a religião serviu ao homem como explicação do mundo quando a ciência não existia. Depois disso, não só teria se tornado inútil como passado a ser um entrave para o conhecimento.

Com ironia e pegadinhas retóricas, Hitchens lança desafios: "Se Deus é o criador de todas as coisas, por que devemos celebrá-lo incessantemente por fazer algo que para ele é tão natural?".

Também acusa tanto o islamismo como o cristianismo de impedirem que avanços da ciência ajudem a sanar feridas do Terceiro Mundo.

Os extremistas islâmicos, por resistir a receber ajuda dos países ricos, achando que a medicina ocidental faz parte do projeto de dominação capitalista dos EUA, e a Igreja Católica, ao condenar milhões à morte por ser contra o aborto e o uso da camisinha, baseada em dogmas irracionais.

O ensaísta se refere ao papa Bento 16 como "reacionário medíocre".

Hitchens pega carona no sucesso de Richard Dawkins, cujo "Deus, um Delírio", que chega aqui em agosto, vendeu meio milhão de exemplares nos EUA e mais de 300 mil no Reino Unido.

Biólogo especializado na teoria da evolução, Dawkins diz que a intenção de seu livro é convencer as pessoas de que devem libertar-se totalmente desse "vício" que é a religião e acrescenta que Deus é homofóbico, racista, genocida, entre outros atributos nada afáveis.

Para o biólogo, Deus não poderia ser uma divindade, pois um ser tão complexo e superior ao homem só poderia ter surgido bem depois deste, como conseqüência da evolução, e não antes de todas as coisas, contrariando a teoria de Charles Darwin (1809-1882).

Em "Quebrando o Encanto", o filósofo norte-americano Daniel Dennett faz uso do darwinismo para analisar a religião como produto da evolução humana, e não como força de raízes sobrenaturais.

Em entrevista à “Folha de SP”, Dennett disse que espera que as pessoas aprendam a discutir e a investigar a religião de um modo mais natural e científico – e está otimista.

"É preciso que deixemos de evitar tópicos que podem ofender os devotos. E acho que cada vez mais há pessoas religiosas que querem discutir suas crenças com céticos e cientistas."

Dennett defende uma revolução no modo como se estuda religião aos moldes da que Alfred Kinsey (1895-1956) provocou com relação ao sexo nos anos 40.

No Brasil

As prateleiras das livrarias brasileiras já estão cheias de recentes títulos ateístas.

O best-seller do filósofo francês Michel Onfray, "Tratado de Ateologia", acaba de sair pela Martins Fontes, enquanto "O Livro Negro do Cristianismo – Dois Mil Anos de Crimes em Nome de Deus", de Jacopo Fo, Sergio Tomat e Laura Malucelli, chega agora pela Ediouro.

Plínio Junqueira Smith, doutor em filosofia pela USP, participa de um grupo de discussões sobre o ceticismo, formado na Unicamp.

"Nossa preocupação é tentar compreender a história do ceticismo e fazer a reflexão sistemática sobre questões céticas atuais", disse.

Smith organizou "Ensaios sobre Ceticismo", coleção de artigos sobre o tema, e fez o prefácio de "Ateísmo e Revolta", de Paulo Jonas de Lima Piva, uma análise do pensamento do padre ateu Jean Meslier, que viveu no século 17.

Ambos os livros saem agora pela editora Alameda.

Confusão

Para o colunista da “Folha de SP” Marcelo Gleiser, o grupo de "novos ateístas" está causando uma "grande confusão". "Estão exacerbando as já arraigadas posições anticientíficas dos mais religiosos e criando novos inimigos devido à arrogância."

Gleiser, professor de Física Teórica no Dartmouth College (EUA), acha perigoso que eles sejam vistos como porta-vozes da comunidade científica.

"Não é verdade. Do ponto de vista da ciência, a posição de ateu radical não faz sentido. Para se afirmar que Deus não existe, é necessário supor que detemos a totalidade do conhecimento, algo que é inatingível pelo fato de a ciência ser uma criação humana e limitada."

Para ele, o máximo que cientistas podem dizer é que "a existência de um Deus judaico-cristão é contrária ao que conhecemos do mundo".

Por outro lado, "não podemos afirmar que a informação atual da ausência de uma divindade é definitiva pois não temos informação sobre tudo. A única posição consistente com a ciência é o agnosticismo ou, no máximo, um ateísmo liberal, pronto a aceitar evidência em contrário, caso ela ocorra". (Sylvia Colombo e Marcos Strecker)
(Folha de SP, 21/7)

Jornal da Ciência

Sou contra a idéia do texto pois não considero exagero nos neo-ateus como exagerada, pois Marcelo Gleiser não pode representar a comunidade científica com suas idéias agnósticas. Também não concordo com o entendimento dele de ciência. Mas enfim é a divulgação do ateísmo e a possibilidade de debate sobre o tema, a busca do diálogo.