segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Contra a ditadura celestial

A fé subjugada pela razão. No vigésimo-terceiro encontro do curso de altos estudos Fronteiras do Pensamento, Christopher Hitchens criticou toda e qualquer filosofia baseada no divino. Em “Deus não é grande” o polêmico jornalista inglês contestou dogmas e censurou crenças frente a um público dividido entre o choque e a admiração no Salão de Atos da UFRGS.

Hitchens iniciou a palestra da noite do dia 6 de novembro com uma indagação, segundo ele, das mais pertinentes no atual contexto mundial: “Estamos aqui como resultado das leis da biologia e temos assim que aprender a coexistir, ou somos frutos de um design divino e não temos nenhuma influência sobre nosso suposto livre-arbítrio?”. A conhecida resposta do controverso colunista – que já acusou Madre Teresa de ser uma “fraude fanática e fundamentalista” – consegue, para surpresa do público mais conservador, ir além da simples crítica da fé em um deus ou da oposição a ele. Os argumentos usados por Hitchens contestam a falta de senso crítico e de integridade moral apresentada por dogmas divinos, colocando a razão e o humanismo iluminista como as únicas explicações úteis à humanidade.

A necessidade por respostas é que teria, de acordo com o jornalista, criado as entidades divinas. A religião seria, então, a primeira tentativa do homem de entender sua realidade. Suas falhas, contudo, vêm do seu pioneirismo, já que suas explicações surgiram na “época da infância assustada da nossa espécie”. Quando não existia conhecimento sobre astronomia, origem dos seres ou evolução, o homem encontrava respostas em “fábulas divinas” na sua busca por entender fenômenos naturais simples, como a transição entre o dia e a noite.

Hoje, frente a todo o conhecimento adquirido pela humanidade em sua constante evolução, a religião não teria mais espaço. Todos os dogmas, cristãos, judeus ou muçulmanos, compartilhariam de um mesmo erro ao colocar a fé acima da razão. “A religião insulta profundamente a nossa integridade”, diz o inglês, acrescentando que “a concepção de fé como uma virtude reduz o homem a um ‘estado animalesco’, em que é preciso a visão de uma autoridade divina para nos ensinar a distinguir entre o bem e o mal.” Se certamente um produto humano, a religião é acima de tudo um produto masculino, argumentou ainda o escritor. Todas as religiões reprimem a mulher, apresentando-a como um ser inferior, a verdadeira fonte do pecado.

Como desafio aos seguidores do que considera uma “ditadura celeste”, que exige ao mesmo tempo o amor e o temor de seus fiéis, Hitchens lançou duas questões: “Nomeie uma ação moral, ou prática, realizada por um crente que um não-crente não possa repetir” e “nomeie uma ação que não poderia ser executada sem intervenção divina”. Aos que respondem que a polêmica do seu desafio nada mais é do que fruto de seu ateísmo declarado, o jornalista alfineta mais uma vez: “Sou anti-ateísta. Um ateísta nega a existência de um deus, mas ainda pode desejar a existência de um. Já um anti-ateísta está contente por não existir nada além da razão”. “Você se sente muito melhor quando não acredita que existe um déspota celestial pronto para te julgar”, completou.

Copesul Cultural

11 comentários:

JAIRO FRANCISCO disse...

Discordo do Hitchens quando diz: " um ateu ainda pode desejar a existência de um (deus)...". Se o Deus Judaico-Cristâo "criador de todas as coisas", inculcado em nossas mentes por nossos pais e pais dos nossos pais, não responde nossas expectativas.Porquê teríamos a necessidade de criar outro deus?

RJ SKYWALKER disse...

O impulso religioso é inerente a todo ser humano, a afirmação de hitchens, sobre um ateu poder desejar a existência de deus, comprova isso. A própria razão, cultuada pelos ateus e anti-ateus, se torna então nas suas mentes como uma alpondra religiosa que defendem com a mesma veemência que os fanáticos religiosos. A razão não é santa nem pura. Ateus e anti-ateus não são mais puros que os religiosos, também não são paladinos do livre arbítrio, da liberdade de expressão e do livre pensamento como aparentam. O regime comunista ateu que dominou boa parte do mundo no século passado é uma triste lembrança que assim como sistemas dominados pela religião são opressivos assim também o são sistemas e sociedades que se tornam dominadas pela filosofia ateísta. Portanto, o fato de alguém ser só guiado pela razão não é garantia de caráter e valores éticos assim como o contrário também é verdadeiro, no caso dos religiosos. Acredito em Deus sim e não tenho vergonha de dizer isso, mas não concordo com os excessos religiosos cometidos no decorrer da história da humanidade e que ainda são cometidos por aqueles que deturpam Deus e se autoproclamam lideres religiosos e representantes dele. Quanto ao post de Jairo Francisco: ele faz uma pergunta que ao mesmo tempo ele responde.

Racionalista disse...

Bem feliz a concepção de "anti-ateístico" do Hitchens, pois esta é uma condução ao niilismo. Sinto-me feliz quando alguém me diz: ah! você não é nada. Sinto-me bem melhor do que quando usam djetivos rotuláveis, como o de ateístico, deístico ou teístico. Pois na verdade não somos nada e ao mesmo tempo somos o nada no maravilhoso nada.

Racionalista disse...

Excelente! Ditadura celestial! Imaginemo-nos seres tão minúsculos ante toda infinitude das galáxias, sob uma ditadura celestial. Que somos para merecer tão sublime atenção de uma célica ditadura? Só os padres podem se alegrar com esta ilusão infantil pretensamente numinosa.

Racionalista disse...

Ditadura Celestial? Esta é a mais relevante produção de nossa antifilosofia ou das sofistarias dos utópicos filosofastros.

katiene disse...

Discordo que o ateu pode desejar a existência de um deus...
Na minha humilde opinião, pelo o que noto conversando com teístas (sim, com muitos deles é possível manter um debate) é acreditam em deus e tudo que vem junto porque precisam "conhecer o desconhecido", ou seja, a vida após a morte. Simplioficando ainda mais, medo de deixar de existir. É claro que há outrops fatores, mas este, na minha opinião é o principal.

Panddora disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
bruna disse...

Descordo plenamente de todas essas teorias ateísta,o motivo no qual um ateu não acredita em um Deus é pq tem medo de ser julgado, vive na imundície da carne ama o pecado e sabe que segundo os mandamentos de Deus ele será julgado,aquele que negar a Deus, Deus o negará no juíso final, pois não é Deus que precisa de nós,mas nós é que precisamos dele ...Jesus voltará revestido de poder e glória sobre os Céus e arrebatará os seus Escolhidos,é dificil acreditar bastar ler o que está escrito no livro da biblía,tudo o que esta acontecendo no mundo hoje á séculos está lá.. e eu creio que vc que esta lendo essa postagem agora deus mudará sua vida e fará vc acreditar na existência dele,e para aqueles que estão lendo e mesmo assim não tem a curiosidade de saber e de análisar a biblía ...é meus caros podem mover céus e terra mais uma palavra do que está escrito não mudará .. deus abençoe vc´s!

Carlos disse...

Porque um Ateísta quereria criar um deus? O palestrante errou!

Divina disse...

O ateu nao deseja um deus, essa idéia nao faz o menor sentido! Nao se pode desejar algo ao mesmo tempo absurdo e nocivo. E a denominação anti-ateu também e absurda; o prefixo anti sugere a idéia de oposição, portanto anti-ateu e o religioso, principalmente aquele religioso que nao sabe nada sobre o que significa ser ateu e fica dizendo M., como essa moca sem noção aí em cima.

DE TUDO UM POUCO disse...

Este senhor Christopher deve ter lido os livros de Alan Kardec. A Doutrina Espírita não só combate a fé cega e os dogmas das religiões, como apresenta e explica que a Fé deve ser raciocinada. Não há espaço mais no mundo para a Fé cega e baseada em Dogmas que a Ciência já comprovou serem impossíveis. A Doutrina Espírita, nós apresenta um Deus que é Pai como ensinou o Cristo, e que a doutrina do Céu e do Inferno, pregado pelas religiões tradicionais é uma negação deste Pai de Amor e Bondade.
O Senhor Christopher não tem este nome por coincidência. Questionando as religiões ele está a caminho de encontrar este Deus amoroso, pela fé raciocinada. Os abusos das religiões é que deram origem ao ateísmo. E o ateísmo está para encontrar com Cristo e com Deus. Leiam a Doutrina Espírita que é Ciência, Filosofia e Religião e todos encontrarão as respostas sobre DEUS.
Fiquem com DEUS!