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quarta-feira, 13 de junho de 2007

Teoria da inexistência de deus

Deus um conceito imaginário e simbólico. Uso o termo simbólico para conceituar o termo deus baseado no texto Sobre o imaginário que expõe a definição de Lacan em que o simbólico seria coletivo e cultural, e o imaginário seria individual e ilusório. Temos assim a hipótese do conceito de deus como um ser imaginário e simbólico em oposição ao conceito de deus como um ser real.

O ateísmo científico é embasado nas ciencias naturais principalmente na astronomia que não encontrou evidência alguma da existência de uma divindade. O conceito de deus como um ser real tem como principal caracteristíca a criação do universo, com base na lógica de que tudo tem que ser criado, mas deus não, e se deus não faz parte do tudo, logo não existe. A partir dessa variação ocorre os diversos argumentos a favor da existência de deus que falham por partir da premissa da existência e a tomam como conclusão.

O embasamento antropológico que complementa essa hipótese é o método genético-crítico de Feuerbach: A diferença fundamental entre o homem e o animal consiste no fato de que o animal está regulado instintivamente, enquanto o homem tem consciência e pode assim refletir sobre si próprio. Mas a consciência ultrapassa as fronteiras do eu e tende também a compreender o mundo, dirigindo-se assim para o infinito. Aqui se funda a religião, contudo, o problema consiste no fato do homem separar o infinito de si próprio. Visto assim, a religião nasce num processo de projeção. Uma experiência humana é considerada como existindo fora do homem. Ao contrário da criação bíblica, é o homem que cria Deus a partir da sua própria imagem: “Homo homini Deus est”. Acrescenta ainda que entre o humano e o divino não há uma oposição de fato, real, mas sim ilusória. A contradição fundamental está no homem, porque não há uma essência religiosa. A religião é uma abstração das limitações da vida humana, corporal. Não há qualidades em si na vida divina.

O critério de demarcação da ciência proposto por Popper é a testabilidade, refutabilidade ou falsificabilidade para as teorias científicas. “Um enunciado ou teoria é falsificável, segundo o meu critério, se e só se existir, pelo menos um falsificador potencial”, ou seja, se existir pelo menos um enunciado que descreva um fato logicamente possível que entre em conflito com a teoria. E o enunciado que potencialmente falsifica a hipótese de deus como um conceito imaginário e simbólico é a hipótese de deus como um ser real.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Deus não existe

A afirmativa de que deus não existe é bem embasada por muitos filósofos que questionaram o que seja deus e viram a imperfeição e incoerencia deste conceito. Não há nenhum motivo para supor a existência de deus que não tenha sido refutada. E não estou falando da opinião de pessoas quaisquers e sim grandes pensadores ao longo da história.

E a ciência ajuda a desmistificar deus por exemplo ao eliminar duas de suas principais características que são o surgimento da espécie humana, que a teoria da evolução esclarece brilhantemente, e o surgimento do universo em que o conceito de deus como criador do universo é inexistente.

Dentre os filósofos que mais admiro pela qualidade de seus textos acerca do ateísmo um deles é Sartre, em que sua obra O Ser e o Nada demonstra a existência como sendo validada por si própria e fala da ma-fé que a crença em deus e na religião trazem ao anular a responsabilidade do homem. Outro filósofo é Feuerbach, que era teólogo e se aprofundou na antropologia e explicou como o homem faz a projeção do que há de melhor em si neste ser imaginário que é deus. E afirma que o amadurecimento do homem se dá com a perca da infantilidade de fazer essa projeção.


terça-feira, 22 de maio de 2007

Escrita

Sobre a escrita eu vejo a possibilidade de escrever de forma solta da maneira que eu me comunico com meus familiares e amigos. Se a escrita necessita de mais formalidade eu já disponho por ler bastante e querer sempre o detalhamento e a profundidade dos temas.
E gosto de filosofia exatamente por isso, por abranger várias áreas e assuntos, poder se ter uma visão geral de mundo.

O nome do blog é filosofia ateísta, mas penso poder ser uma redundância, pois a filosofia é ateísta, a filosofia teísta deve ser a teologia. E quanto a religião? A religião é um tema muito polêmico e por vezes polêmico até em sua definição. Sou forista do Clube Cético, e por vezes nos desentendemos nesse conceito, com uns querendo extrapolar, mas considero típico de religioso tal atitude. É querer que a religião abranja todos os aspectos da sociedade, aspectos morais e sociais.

Tenho vontade de escrever, quiçá pudesse somente escrever, seria muito gostoso. Mas quero escrever com qualidade e transmitir informações importantes. Tenho interesse pela filosofia, mas muito da literatura filosófica acaba ficando massante. E a literatura filosófica mais agradável acaba por ser praticamente um romance.

Tenho grande admiração pela literatura, mas acho bem mais complicado, por ser algo artístico. E o interessante de um blog é poder exercitar a escrita e a divulgar. Mas muito das minhas postagens são textos que gostei e que quis reunir no blog, pois como bem diz o título é de textos de ateísmo e de filósofos ateus. E tenho a idéia de comentar todos, mas independente de comentar, todos os textos me influenciam, pois mudam a minha percepção do ateísmo e de mundo.

Os textos de Feuerbach são fantásticos e fazem uma abordagem antropológica da religião, propondo assim o ateísmo. Outros textos que me impressionaram muito foram os do existencialismo de Sartre, que tocam profundamente na questão da individualidade do ser e de como é desnecessário a religião e suas crenças e a taxando de más.

domingo, 20 de maio de 2007

É o agnosticismo uma fuga?

Um tema difícil e complicado para se falar, pois se confunde com ateísmo e com ceticismo. Por vezes é visto como o ceticismo do conceito de deus, e assim como no ceticismo não se acredita em deus nem no sobrenatural. Sendo o agnostíco alguém que não acredita em deus se confunde ao ateísmo.

Temos também o agnosticismo teísta, embora seja mais teórico do que prático. Seria uma pessoa de pouca fé em deus. Mais precisamento alguém sem fé em deus, mas que acredita na possibilidade de existir deus. E assim se distingue um agnóstico ateu de um agnóstico teísta, pela possibilidade maior ou menor de deus existir.

Eu me considero ateu por não admitir possibilidades de deus existir, e não deixo de ser cético por isso, pois dentre as possibilidades que conheço não vejo lógica mas estou aberto a discussão e ao diálogo sobre o conceito de deus e sobre a sua suposta existência.

O me incomoda no agnosticismo é a falta de posicionamento quanto a existência ou não de deus. Falar da impossibilidade de concluir sobre a existência de deus não faz com que não possa ser ateu ou teísta, e o irrelevante é se o tema é impossível de ser concluído, dizer isso não é um posicionamento me parece mais uma fuga.

E assim que vejo o agnosticismo em muitos casos, quanto acontece um debate ou discussão sobre deus sempre tem alguém a se dizer agnóstico e que não é possível ter uma conclusão. Ser agnóstico é não precisar tomar partido numa discussão sobre deus.

Historicamente foi assim que surgiu o agnosticismo, com Thomas Huxley cunhando esse termo e deixando o tema deus de lado para poder fazer a defesa da teoria da evolução de Darwin. Ele fugiu do tema deus e se ateve ao tema biologia, afastou a fantasia da gnose teísta para mostrar a realidade da “gnose” científica.

E o agnosticismo falha ao deixar margens para a crença em deus, em admitir a possibilidade da existência de uma divindade. Se os teístas são ateus em relação a outros deuses menos no que acreditam, o agnóstico ateu é teísta em relação ao deus que acredita ter possibilidade de existir.


Este é um artigo para o debate interblogues cujo tema é “Será o agnosticismo mais racional que o ateísmo?”

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Proselitismo ateísta

O proselitismo ateísta consiste na doutrinação através dos já batidos argumentos ateus, que não necessitam de reflexão e já trazem a verdade em si.
Um desses argumentos se refere a amoralidade do ateísmo, considerando o ateísmo isento de qualquer responsabilidade sobre os atos dos ateus, pois estes fazem o que quer e como quizerem, o que eu vejo como sendo o pensamento individualista no ateísmo.

E o aspecto fundamental das condutas de ateus, sejam ateus históricos ou atuais é poder relacionar com uma ética ateísta, mas isso vai de encontro com o "dogma" da amoralidade ateísta, pois ateu é amoral, um ser acima do bem e do mal. Justifica-se essa amoralidade do atéismo com a heterogeneidade dos ateus devido a diversidade de personalidades e pensamentos.

Umas das possibilidades desse meu blog foi justamente poder reunir textos de ateus e não ateus, sobre o ateísmo, com suas opiniões e julgamentos morais acerca dessa doutrina. Mas sei que me é caro o uso da palavra doutrina pois em muitas discussões em fóruns sou alertado da definição de ateísmo, que significa "apenas" não acreditar em deus.

Mas o proselitismo ateu não para por ai, pois como ateus devemos falar na grande maioria dos casos que não acreditamos em deus, pois se algúem falar que acredita que não existe deus, o que em termos linguísticos e para um leigo no assunto não muda nada, veremos nos fóruns ateístas, orkuts, blogs e internet em geral, a reação na tentativa de explicar as diferenças entre não acreditar em deus e não acreditar na existência de deus.

Com isso vemos que a palavra "apenas" perde o seu sentido na tentativa de explicar o complexo pensamento ateísta que carece de muito estudo ainda.


Deixo aqui uma resposta minha num fórum de discussão e que contribui com o texto:

Embora não seja difícil ateus divulgarem os famosos ateus que fizeram grandes avanços para a humanidade, o que é de fato motivo de orgulho, mas quando ocorre o inverso, a questão nos torna ofensiva? Onde está a racionalidade? Não se pode fechar os olhos para os ateus perversos e simplesmente ficar na já batida tese do indivudualismo ateu, que cada um faz o que quer e como quer, isso só já não basta, é uma superficialidade.

Mas enfim, essa é minha opinião, pois colocando dessa forma, está dentro das normas atéias de pensamento individual ateu e de não responsabilidade com um pensamento maior do ateismo.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Meu ateísmo

Estou iniciando este blog no intento de aprender e interadir sobre o conhecimento ateísta que é uma das minhas atuais paixões. Me diferencio da maioria dos ateus por ter uma postura um tanto mais crítica do ateísmo enquanto filosofia e não apenas um posicionamento pessoal, e por muitas vezes me questiono sobre o ateísmo como sendo uma religião, e a minha crença a inexistência de deus, na qual tenho muita fé em seu sentido positivo sustentada pelo conhecimento.

Adriano Pedroso